quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Por que donos de gatos são tudo de bom?




por Vanelli Doratioto(*).




"Ter um gato é no fundo um jogo de conquista. Um jogo de verdades sem medidas. De sorrisos velados ou dentes serrados, tudo isso sem alardes. Nada se obriga numa relação verdadeira entre duas pessoas. Na relação com um gato também não". (Vanelli Doratioto)


Pessoas que gostam de gatos ou de cachorros têm personalidades bastante distintas. Enquanto os amantes de cachorros são mais sociáveis, os donos de gato são quase sempre dotados de um sedutor ar de mistério.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Carroll, nos Estados Unidos, mostrou que donos de gato têm uma alma livre, ou seja, não se prendem tanto às regras. Também são pessoas dotadas de grande sensibilidade, com um ar de introspecção notório e bastante abertas a novas experiências.

Para Denise Guastello, professora de psicologia e principal autora desse estudo, as diferenças de personalidade entre donos de gato e de cachorro podem estar relacionadas ao tipo de ambiente que essas pessoas preferem. Donos de cachorro gostam mais de sair, levar seu animal para passear, ver outras pessoas enquanto que donos de gatos, por serem mais introspectivos e dotados de grande sensibilidade, quase sempre preferem ficar em casa lendo um livro.

Se observarmos bem, donos de gatos têm uma característica muito importante: eles sabem respeitar a forma de agir do seu animal de estimação, sem exigir que o felino se expresse desse ou daquele jeito. Não exercem com seu animal qualquer relação de posse. Não exigem uma atenção desmedida ou eufórica, tão própria dos cães, para se sentirem amados. Não têm dentro de casa um animal que os vê como mestres, mas um de índole livre que os vê como igual.

Donos de gato têm, através do convívio com o seu animal, a possibilidade diária de exercitar a aceitação, e consequentemente, tomam como natural que os outros sejam como são. Em geral são pessoas que dão mais espaço àqueles com os quais se relacionam e percebem mais através da observação e menos através das palavras. Também é assim a linguagem felina, pois quase sempre ela se faz silenciosa. O gato observa muito antes de chegar até onde quer chegar.

Quem tem gato sabe que um gato não dissimula afeto. Não conhece o que é ser obrigado. Não se rende às ordens humanas. Para o gato, seu dono é um companheiro pelo qual ele terá uma imensa admiração ou aversão. E a admiração dele nunca é gratuita. Ela é conquistada no dia a dia e exige que o dono seja uma pessoa confiante.



Ter um gato é no fundo um jogo de conquista. Um jogo de verdades sem medidas. De sorrisos velados ou dentes serrados, tudo isso sem alardes. Um dono de gato provavelmente não curtirá relacionamentos recheados de demonstrações gritantes de afeto. Não terá necessidade de controlar os passos do seu parceiro. Não mendigará afeto ou tentará comprá-lo com o que é efêmero. Nada se obriga numa relação verdadeira entre duas pessoas. Na relação com um gato também não.



Um gato não ama por piedade ou interesse, ama porque reconhece em seu dono uma alma livre e poderosa, dotada de firmeza e cheia de amor-próprio, assim como a dele.

Dessa forma, não é difícil perceber que no quesito relacionamento donos de gatos estão um passo à frente. Respeitar a forma de amar do outro é muito importante para garantir a saúde de qualquer relação. E isso, dentre outras coisas, é algo muito bem sabido por quem tem um bichano ao alcance da mão.


(*)Vanelli Doratioto é colunista de obviousmag.org

Nenhum comentário:

Postar um comentário